Jovem tapense, Ricardo Alencastro Afonso conta em artigo experiência vivida com índios, em aldeia no interior de Camaquã

Publicado por bira costa em 11/04/2018 às 21h34

Ele transcreve em forma de artigo de opinião os sentimentos e revela emoção deste povo que não vive pela nossa ótica e, sim, expõe um amor mútuo

Redação Online/fotos: Ricardo Alencastro Afonso

Ricardo Alencastro Afonso

Ricardo Alencastro Afonso tem 19 anos, estuda no terceiro ano de direito na UFPel, é natural de Camaquã, mas tem familiares em Tapes, onde cresceu e formou amigos.

Ele viveu, uma singular experiência de vida, quando conheceu, recentemente, na Localidade do Bonito, em Camaquã, uma Aldeia Indígena, YvY ´a Poty.

Lá, conheceu o Cacique, Cristiano Kuaray Souza e toda a cultura indígena, como uma vivência particular e humana, colhendo sentimentos, acolhendo valores, costumes e a história deste povo que habita por gerações o território brasileiro.

Ao final, entre os dias 17 a 20 de abril, esta aldeia indígena fará uma atividade para receber visitantes e mostrar costumes e valores.

Para participar, o contato está no celular, anexo ao folder, ou você pode acessar este link, nesta matéria, https://www.facebook.com/events/199471764144092/.

Para o Portal Online Comunicação e Jornalismo, o jovem acadêmico, que descreveu em um belo texto sua experiência, explicou as motivações que o levaram a visitar os indígenas, bem como concluiu com um artigo o encontro, em primeira mão, reproduzido ao Online.

Online: Por que você buscou construir esta experiência de vida com os indígenas?

Ricardo Alencastro Afonso: Inerente à sociedade de que fazemos parte, há uma falta de atenção às sutilezas da vida, e isso sempre me foi bastante assustador e preocupante.

A ganância é cultural, ensinada na Gênesis da educação.

Ao contatar o povo indígena, percebi uma diferença gritante nesse sentido, uma vez que fui abraçado com o amor incondicional de um povo que enxerga a vida com os olhos despidos do superficial, olhar este revestido de uma genuinamente linda humanidade.

Em razão disso, quis disseminar a informação que me foi tão útil. Além de, principalmente, divulgar a cultura indígena, porquanto tão esquecida é hostilizada socialmente.

Ricardo Alencastro Afonso

                                                ARTIGO

Fui afligido por uma forte hesitação ao pensar em postar este texto. O motivo é simples: escritos desta natureza tendem a assemelhar-se com espécies de tentativas de autopromoção.

Entretanto, inegável o fato de que as redes sociais são a mais eficaz forma de proliferar informações, sejam elas úteis ou não.

Assim, optei por compartilhar a reflexão, de tal sorte que, muito alegremente, deixo aqui o meu relato:

No último final de semana, tive a oportunidade de passar o dia e a noite junto à tribo indígena dos mbya, de origem guarani.

Lá estando, fui apresentado à sua cultura, aos seus costumes, às suas crenças e ao seu cotidiano.

O intento inicial era, precisamente, tirar algumas fotos e absorver, mediante conversas e experiências, a impressionante sabedoria que reveste a história e a luta do povo indígena, que há muito eu admiro.

Após uma experiência genuinamente linda, trago à baila alguns aspectos que me parecem relevantes:

Tragicamente, a cultura indígena é hostilizada e olvidada por uma sociedade que, sádica e incutida de um racismo cultural extremamente forte e travestido de igualdade ontológica entre raças, gêneros e culturas, autodefine-se como evoluída e democrática.

Apesar de toda a humanidade de que são dotados, os mbya relataram algumas das adversidades que enfrentam. Durante a roda de conversa, acalentada pela fogueira, pelos cânticos e pelas encantadoras histórias, vários foram os exemplos dados a fim de demonstrar como os indígenas sofrem com a hostilidade e o preconceito dos homens da cidade.

Ricardo Alencastro Afonso

Uma palavra, um olhar, um pensamento. Uma humilhação, uma agressão. A história da colonização é revivida no cotidiano das tribos indígenas.

Seu amargor se repete e é lapidado pelas ações de uma sociedade preconceituosa.

Preconceito este que não vai ao encontro de nenhuma linha de pensamento político minimamente razoável, de forma que o combate às desigualdades que nos assolam não toma bandeira específica.

O discurso que afronta o preconceito não deve, portanto, adotar um polo político em detrimento do outro.

Incumbe a nós, enquanto SERES HUMANOS, promover como melhor nos couber, a igualdade e o amor.

Ricardo Alencastro Afonso

Muito, por nós, há de ser aprendido com os indígenas.

Sua relação de amor e respeito para com a natureza, a cortesia mútua que permeia as relações lá estabelecidas, a forma como valorizam o simples e atentam às palavras ditas para que a ninguém ofendam.

Passar uma noite com a tribo dos mbya é aprender sobre amor, é aprender sobre humanidade.

E se minha experiência de vida, infinitamente mais enriquecida após a gratificante vivência descrita, me permite proferir algum tipo de conselho, assim o faço:

Sejamos mais sinceros, menos gananciosos; mais altruístas, menos hostis; mais abertos ao novo, menos apegados às aparências; mais profundos, menos

Ricardo Alencastro Afonsoepidérmicos.

Se algum tipo de percalço te atormenta, pense em desbravar o mundo ao seu redor. A imensidão e beleza irão te surpreender e suprir o clamor do teu coração.

Não deixe a ganância te cegar, ela pode ser um caminho sem volta.

Por fim, pura e simplesmente, sejamos mais profundos e sutis!

Categoria: Geral
Tags: Aldeia indígena, Camaquã, online, Ricardo Alencastro Afonso, Tapes

Comentários

cristiano kuaray em 19/05/2018 15:08:39
obrigado ricardo, eu sou indigena da etnia mbya guarani, estamos aberto para receber todos que querem conhecer mais a historias e a cultura mbya guarani
André Lopez em 12/04/2018 09:43:02
Muito bom artigo Ricardo. legal saber que tem pessoas jovens como você se preocupando com os Indigenas e com a nossa sofrida sociedade. Espero que vocês acertem aonde erramos e iniciem um ciclo de "humanidade" como você mesmo descreve no texto. Parabéns!
Pedro Soarez em 11/04/2018 23:57:00
Ótimo relato!!
Obrigado por transmitires esta realidade com teus mais sinceros sentimentos.
Muito sucesso pra ti.
Que mantenhas esta pureza e o coração a serviço do próximo .
Carinhoso abraço.
Pedro Soares.

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